Dona Balbina, só gratidão
As roupas que serviram na dona Balbina eram da minha avó, dona Balbina passava o dia no tanque, nessa época não tínhamos máquina de lavar lá na Xavier Botelho, ela lavava, lavava e lavava, tinha o mesmo corpo que minha avó que já tinha enchido uma mala só de roupas para doação. Dona Balbina era uma senhora dessas que não se esquece, impossível lembrar suas feições depois de todos esses anos e todos os rostos que passaram pela minha vida. O tempo é assim, ele vai guardando e apagando as lembranças, não existe nada que não seja sacrificado por ele, se não fosse por repetir em nosso cotidiano nossos nomes, nossos dados, nossas senhas bancárias, até isso esqueceríamos e se não houvessem espelhos?
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